A Poupança dos jovens portugueses

Colocado por a 24.02.2009 em Informações e Dicas | 0 comments

jovens-portuguesesAinda que as estratégias dos bancos relativamente aos jovens adolescentes visem a poupança, eles preocupam-se muito mais em ensinar os jovens a gastar.
Por vezes a poupança dos jovens é depositada numa conta bancária pelos pais; outras vezes é simplesmente confiada a um mealheiro. Frequentemente, os dois sistemas coexistem.

Esta poupança é, normalmente, destinada a financiar despesas específicas: computador, aparelho de áudio, pagamento da carta de condução, férias,…

a) Inquérito do Instituto de Ciências Sociais – 1986/87

Este estudo pretendeu também analisar as práticas e motivações da poupança dos jovens em 1986/87, período da realização do inquérito.
Foi formulada a pergunta: “procura poupar dinheiro?” e as respostas possíveis eram: “sim”, “raramente” e “não”.

A principal constatação foi a de que a maioria dos jovens (cerca de 67%) tinham por hábito poupar, não se verificando diferenças em função das situações sociais.
Em função da “situação perante o trabalho” (constituíram-se cinco grupos: estudantes, trabalhadores, trabalhadores/estudantes, desempregados e domésticas,) o grupo dos estudantes era o que menos hábitos de poupança registava (a seguir aos desempregados).

Razões para poupar
As razões apontadas, por ordem decrescente de importância, foram:

  • para ter dinheiro quando quiser comprar alguma coisa (67,8%);
  • para qualquer imprevisto (48,3%);
  • porque se sente mais seguro/a tendo dinheiro junto (32,5%);
  • para as férias/viagens (20,0%);
  • para oferecer presentes (anos, Natal,…) (15,8%);
  • para quando casar e tiver filhos (7,2%).

Em relação aos valores médios, no grupo de “estudantes” ganham importância relativa como objectivos de poupança: “a compra de algu-ma coisa”, “as férias/viagens” e “a oferta de presentes”. Em contrapartida, perdem importância relativa: “para qualquer imprevisto”, por “segurança” e para o futuro (quando casar).

Razões para não poupar
Como se referiu, os níveis de “não-poupança” (os jovens que poupam raramente ou nunca) eram baixos: 27% do total, sendo as seguintes as razões apontadas:

  • não consegue mesmo que queira (50,2% das respostas);
  • não vale a pena (22,1%);
  • não tem dinheiro (18,8%);
  • o dinheiro é bom para gastar logo (15,6%);
  • não precisa, porque quando necessita, consegue desenrascar-se (12,4%);
  • dá pouca importância ao dinheiro (9,5%);
  • não precisa, porque o dinheiro nunca falta (5,7%).

Conforme se pode ler no estudo de Luisa Schmidt, a principal razão apontada maioritariamente por todos os jovens é a incapacidade de fazer poupanças, motivo relacionado com o “consumo ” e todas as outras razões apresentam índices percentuais baixos. Entre estas, encontram-se as de cariz mais hedonista (não vale a pena ou o dinheiro é bom para gastar logo) e as de tónica mais ética (dou pouca importância ao dinheiro) ou ainda as mais pragmáticas (não tem dinheiro ou ele nunca falta).

b) Sondagem do Observatório do Comércio – 1999

Os resultados desta sondagem apontam também no sentido de uma elevada tendência dos jovens para a realização de poupanças: 73,4% “fazem alguma poupança”, sendo os hábitos de poupança idênticos para os três grupos etários considerados: 12/14 anos, 15/18 anos e 19/25 anos.

Razões para poupar:

  • para o caso de surgir necessidade (39,6% das respostas);
  • para o futuro (15,0%);
  • adquirir presentes (8,1%);
  • comprar casa (7,3%);
  • vestuário (6,9%);
  • comprar carro (6,1%);
  • criar sentido de poupança (4,0%);
  • férias (3,4%);
  • comprar CD (2,0%);
  • saídas à noite/saídas com amigos (1,9%).

Como se referiu anteriormente, a utilização de metodologias diferentes impede a comparação dos resultados desta sondagem com os do inquérito do ICS, permitindo apenas captar algumas tendências.

Diferentes tipos de poupança
Distinguem-se vários tipos de poupança consoante a finalidade: precaução, projecto, previdência.

A poupança “precaução”
O bom senso recomenda a criação de uma reserva de segurança. É preciso acautelar imprevistos sem pôr em risco o equilíbrio do orçamento, sem ter de recorrer sistematicamente ao descoberto bancário em caso de incidente. O montante dessa poupança deve ser previsto no orçamento, pode ser mínimo, mas deve ser considerado como um encargo fixo indispensável.

Esta poupança deve permanecer disponível a qualquer momento e ser remunerada, nomeadamente através de um depósito a curto prazo, ou de outra aplicação remunerada e com liquidez elevada (para se reaver o dinheiro aplicado num prazo relativamente curto).

Paradoxalmente, para uma pessoa com rendimentos reduzidos, este tipo de poupança é mais importante e contudo mais difícil de realizar.
Com um rendimento de 1.000€ por mês é possível liquidar uma despesa imprevista como seja o arranjo do aquecimento ou a compra da máquina de lavar roupa. Para um rendimento mensal de 500€, é mais difícil fazer face a estas despesas.

A poupança “projecto”
Pode poupar-se tendo em vista a concretização de um projecto, como seja uma viagem, compra de casa, etc.

Para possibilitar a prossecução deste objectivo é aconselhável constituir-se mensalmente uma poupança de montante fixo.
O suporte financeiro adequado para este tipo de poupança deverá ser diferente da poupança criada como precaução, ou seja uma poupança menos líquida mas mais rentável (ex.: depósitos a prazo, fundos de investimento).

A poupança “previdência”
É uma poupança a longo prazo cuja prioridade é a segurança, o rendi-mento e as vantagens fiscais (PPR, Fundos de Pensões).